Correndo com os Lobos


Aqui você vai encontrar um resumo dos pontos principais de cada encontro do Ciclo Mulheres que Correm com os Lobos, um trabalho profundo que realizamos em nossos grupos durante 18 meses.

Para você que quer se iniciar neste caminho: dicas para reflexão, trabalhos de consciência corporal e expressões artísticas de acordo com o tema de cada capítulo do livro. 

O último encontro está no topo da página e os demais seguem em ordem decrescente. Boa jornada!


Capítulo 14
A Iniciação na Selva Subterrânea
A Donzela sem Mãos
Encerramento do Ciclo

Terminamos este longo ciclo. Um lindo processo de transformação vivido por cada uma das participantes nos últimos 18 meses. 

Na primeira parte do encontro trabalhamos o capítulo 14, baseado num conto impactante dos irmãos Grimm. Se você não tem o livro, poderá ler o conto aqui.
Este é um capítulo muito longo e complexo, seria impossível abordar todo o conteúdo aqui.
Mas um dos pontos principais é o pacto sinistro que às vezes fazemos enganando à nós mesmas, levando à mutilação da alma. A donzela perde as mãos, significando que a partir daí todo o processo estará fora do controle do ego, perdeu-se a capacidade de moldar a própria vida.
Para podermos sair desta situação é necessário um longo mergulho dentro de si mesma, uma jornada na floresta escura repleta de perigos. Se formos bem sucedidas, poderemos recuperar as mãos como a donzela, ou seja, recuperar a capacidade de cuidar da própria vida, mas agora numa condição diferente, num outro nível de consciência.
Essa volta se dá através do reencontro do Rei com sua esposa e o filho, mostrando que nesse processo houve o resgate de um aspecto íntegro e amoroso (o Rei) e o nascimento de novas possibilidades de existência (o bebê).




Este conto nos alerta que não existem atalhos para o caminho do auto-conhecimento, aquilo que parece um “ótimo negócio” à primeira vista, pode ser uma grande armadilha. 
O que moveu os pais da donzela a fazer o pacto foi a avidez. A avidez nos coloca no estado de velocidade, de desconexão com nossa essência, pois quem está ávido por algo, quer aquilo logo, não é? E acaba não medindo as conseqüências. 
Sem falar que a separação entre o desejo e a obsessão é  uma linha muito tênue. É preciso muita atenção e cuidado para não ultrapassarmos essa linha.


Como podemos evitar esse engano? 
Através do estado de Presença. Sair do piloto automático, permitir-se parar, respirar, refletir, reconectar-se com seu centro. Essa é a saída. 


Relembramos as várias práticas de integração físio-psíquica que realizamos neste ciclo e que nos ajudam a cultivar esse estado. Na página Corpo e Mente vocês poderão ter acesso a várias delas, com o passo a passo.

Apesar do Jogo do Brasil, tivemos uma presença expressiva e a maioria escolheu permanecer para a vivência de encerramento. Fizemos então um balanço deste percurso, mesmo sabendo que perderíamos o primeiro tempo do jogo. Depois passamos às dicas para as que desejam seguir neste caminho.

Foi uma troca de experiências riquíssima,  que me deixou profundamente tocada. Pudemos compartilhar o processo de cada uma, os desafios, as vitórias, as transformações, foi muita emoção

Queridas amigas, foi maravilhoso realizar este trabalho com vocês, um grande aprendizado para mim também. Este grupo é muito especial, por sua característica de acolhimento amoroso, respeito e alegria. Vocês poderão ver as fotos do nosso grupo aqui.

Que vocês levem o cuidado amoroso para suas vidas e para tudo ao seu redor. 


Capítulo 13
Marcas de Combate: O Clã das Cicatrizes

Este capítulo não foi trabalhado em grupo, pois pede um mergulho individual. Ele trata dos segredos que as mulheres guardam por medo, culpa ou vergonha.

Se a mulher não consegue olhar seu segredo, nem sequer chegar perto dele, cria defesas e evita entrar em contato com qualquer coisa que a lembre desse segredo. Mas isso tem um preço: a isola de sua natureza instintiva que  é livre e alegre e cria-se uma zona morta na psique.

Porém nem tudo é tão sombrio quanto parece. Mas para reverter isso é importante seguir estes passos: 

Primeiro: falar do segredo com alguém (seja num diário, com uma pessoa de extrema confiança ou um terapeuta). 

Segundo: Aqui entra a importância do lamento. É fundamental fazer os lutos necessários.

Terceiro: Usar o conhecimento que recebemos no capítulo 12, praticando As Etapas do Perdão

Porque não há nada que esteja fora dos limites do perdão.

Se for bem sucedida nessa tarefa, encontrará luz na escuridão. A ferida se fechará e dará lugar a uma cicatriz, sua marca de combate. Permita que o tempo faça seu trabalho.

Este capítulo traz ainda a história da Mulher dos Cabelos de Ouro, se você não tem o livro, pode ler o conto aqui.

Ele mostra o milagre da psique selvagem, que é capaz de se recuperar não importa a profundidade da “morte” da mulher. E o caminho para essa extraordinária recuperação é o pneuma, o ar que passa pelos juncos soprados pelos pastores que denuncia o verdadeiro estado da psique e o que precisa ser feito em seguida.

Para essa recuperação é importante trabalhar a respiração, que nos ancora no estado de presença. O exercício recomendado é a Respiração da Árvore, que você vai encontrar na página Corpo e Mente (clique na plaquinha do cabeçalho e vá descendo). Em seguida faça a Bênção dos Chakras (que você também encontrará na mesma página). Repita diariamente, até que a ferida esteja cicatrizada.

Do ponto de vista expressivo, você pode fazer uma mandala (desenho ou colagem) que represente suas marcas de combate. Essa mandala se tornará uma lembrança da sua força, um motivo de orgulho.

Veja este lindo trecho do capítulo:

Seria uma boa idéia se as mulheres contassem a sua idade não pelos anos, mas pelas marcas de combate. 
“Qual é a sua idade?” perguntam-me às vezes. 
“Tenho dezessete marcas de combate” respondo.

Lembre-se: nossas cicatrizes, sejam no corpo ou na alma, significam que somos mais fortes do que o que nos feriu. Sobrevivemos e seguimos em frente.

Bem Vinda ao Clã das Cicatrizes!


Capítulo 12
O Urso da Meia Lua
Os Limites da Raiva e do Perdão

Chegamos ao Capítulo 12, o ponto culminante de todo o livro!  Devido à riqueza do conteúdo, vamos dividir  o post em duas partes.

Foram quatro horas de trabalho intenso, e seria impossível resumir aqui tudo o que discutimos e experimentamos nas vivências, mas vou tentar dar umas dicas.

Baseado no folclore xamânico japonês do século VI, é um Conto de Revelação, que permite um grande salto na consciência. Se você não tem o livro, pode ler o conto aqui.

Do ponto de vista simbólico, todos os personagens são aspectos da personalidade de uma única pessoa, portanto o conto nos ensina as etapas que devemos percorrer para cuidar dos aspectos feridos de nossa alma.


1 - encontrar uma força calma e restauradora dentro de si mesma através do silêncio, do aquietamento, do contato com a natureza ou do contato com alguma pessoa sábia. No conto, esta força é representada pela curandeira.

2 - acolher e amar seus aspectos feridos, o que se traduz em coragem para aceitar o desafio necessário para a cura. No conto, isto é representado pelo amor da mulher ao seu marido ferido na guerra, e a coragem para subir a montanha e encarar o urso.

3 - reconhecer as ilusões, agradecer e deixá-las ir. Perceber quais crenças limitadoras nos acompanharam até aqui e permitir a abertura para uma compreensão mais profunda sobre nós mesmas. No conto, isto é representado pela reverência que  a mulher fazia a tudo, e as árvores afastavam seus galhos para que ela passasse.

4 - dar descanso aos nossos mortos: velhos sentimentos, arrependimentos, possibilidades não vividas…é preciso fazer o luto do que não pudemos realizar e permitirmos o desapegar, para que a vida continue e algo novo possa surgir, e isto exige tempo.  É representado no conto pelos fantasmas dos mortos que não tinham família para sepultá-los, e o gesto da mulher que pára no caminho para orar e dar descanso a cada uma dessas almas, mesmo que atrasasse um pouco sua jornada.

5 - agradar ao grande Self e o reconhecimento do lado selvagem da psique. No conto, isto é representado pelo cuidado e pela estratégia na aproximação ao Urso. Lembrando que o Self tem o polo sagrado e o polo instintivo, e ambos precisam ser honrados.

6 - trazer todo este conhecimento para a vida real. Simbolizado pela curandeira que queima o pelo do urso e manda a mulher repetir com o marido tudo o que tinha aprendido com o Urso.


Todas as vivências foram realizadas com base em práticas de cura ancestrais, fizemos um aquecimento para liberar as tensões e a raiva contida, depois passamos para uma meditação guiada e finalizamos com um ritual de transmutação pelo fogo, no qual pudemos nos libertar de  aspectos limitadores e permitir que a energia  fosse transformada.

Terminamos com uma vivência com arte para a criação de uma imagem que se tornou um talismã para cada uma. 

Lembrando o sentido original dessa palavra: talismã é um objeto que nos lembra de um aprendizado de valor inestimável. 

Mas afinal, onde entram os limites da raiva e do perdão? Você vai ver na segunda parte!


Capítulo 12 - Segunda Parte

E então,  como fica a questão da raiva e do perdão?

A raiva é um sentimento inerente à condição humana. Ela tenta nos avisar que perdemos o controle sobre uma pessoa ou situação. Reflete algo que precisa de atenção. Não é boa nem ruim, depende do uso que faremos dela.

Por trás da raiva geralmente há dor ou medo que temos dificuldade de encarar. Achamos que é mais fácil encobri-los com raiva, já que ela aparentemente nos deixa mais fortes. Só que essa força é uma ilusão, pois a energia é retirada do nosso interior e direcionada para fora, o que nos deixa exaustas.

Quando ficamos bravas com uma pessoa, achamos que estamos recuperando o controle, mas o que de fato acontece é que estamos perdendo o controle de nós mesmas.


A melhor estratégia é ser uma observadora da sua raiva e verificar se está relacionada a algo vital que necessita de reparação. Ou o contrário, se era desnecessária ou fruto de um mal entendido. Afaste-se um pouco e  contemple a natureza ou um horizonte mais amplo, permita-se tempo para examinar a questão. As etapas descritas na parte 1 deste post podem ser de grande ajuda.

A raiva sempre pede um ato reparador do outro ou de nós mesmas para que se restaure o equilíbrio e possa acontecer o perdão.

Diferente do ódio, que não busca reparação nem melhora da situação, mas apenas a destruição do objeto ou do outro. E neste caminho a pessoa acaba destruindo a si mesma. O ódio é o polo extremo do princípio do poder e da ausência de amor.


O Perdão é a saída para a raiva. Inclusive e principalmente o perdão de nós mesmas! Ele não é uma graça, algo que cai do céu, nem algo que simplesmente acontece, ele é um ato de criação. Talvez o mais poderoso ato de criação que podemos realizar…

As pessoas acreditam que o perdão é absoluto, ou tudo ou nada, que perdoar é esquecer, ou fingir que não aconteceu e etc…Isto é pura fantasia, talvez seja real para alguns santos iluminados, mas não para a maioria dos seres humanos. Não é à toa que o capítulo diz: os limites da raiva e do perdão...

Por ser um ato de criação, podemos decidir: 

se precisaremos de um ato reparador para isso, 
se vamos perdoar até que o fato aconteça novamente, dando uma segunda chance,
se perdoamos, mas percebemos que aquela pessoa/situação não nos faz bem e nos afastamos,
se não podemos perdoar agora, mas talvez um dia,
se vamos simplesmente esquecer…

O perdão tem muitas camadas, várias estações, e todas são válidas. O importante do perdão é começar e persistir pois o  processo é longo, mas o resultado é profundamente transformador.


Capítulo 12
Terceira Parte - As Etapas do Perdão

 O perdão não é uma graça que cai do céu, mas um poderoso ato de criação. Ele é um processo que envolve etapas básicas que valem tanto para o perdão de si mesma como de outros:
1 - Deixar a questão em paz por um tempo.
O perdão não é algo imediato, é necessário dar algum tempo a si mesma, com se desse umas pequenas férias ao assunto.
Isto evita que você acabe com suas forças ruminando o tema e faz com que se fortaleça por outros meios, que  se permita outras alegrias na vida.
Toda vez que o assunto voltar, deixe-o de lado, diga a si mesma que precisa deste tempo e volte a fazer algo que te nutra como tecer, escrever, dançar, nadar, pintar, contemplar a natureza, etc… Isto é medicinal.



2 - Controlar-se, renunciar à punição.
Esta segunda etapa é muito importante: durante esse tempo, desista de punir a si mesma ou à pessoa que cometeu a ofensa. 
Evite resmungos e reclamações, atitudes hostis consigo mesma e com os outros. Isto evita que a negatividade se espalhe e contamine toda a sua alma.
Se tiver necessidade de falar sobre este assunto, escreva um diário ou procure alguém de confiança ou um terapeuta.
Controlar-se é um ato de generosidade consigo mesma, mas se houver momentos de raiva incontrolável, soque uma almofada ou travesseiro até a raiva passar. 
Permita que o tempo faça seu trabalho. 




3 - A Reparação
 Ouça sua alma, ela vai lhe mostrar quando já foi tempo suficiente. Então, com menos energia dispersa pela raiva, pode-se pensar na possibilidade de reparação do ato. Se for possível, busque a reparação sem causar mais sofrimento a si mesma ou ao outro. Mas nem sempre é possível; e se não for, é necessário criar uma reparação simbólica. Se tiver dificuldade com isso, a ajuda de um terapeuta pode ser importante.



4 - Esquecer, afastar da memória, recusar-se a repisar
Passado o tempo de fortalecimento, da reflexão e da reparação, é hora de esquecer o assunto ou pelo menos recusar-se a repisá-lo vezes sem conta. 
Cada vez que você remói algo, fortalece os circuitos neuronais que o mantém na memória, e ativa o sistema límbico (responsável pelas emoções) que produz uma grande quantidade de neurotransmissores que fazem seu corpo reviver todo o sofrimento. 
Se evitar conscientemente fazê-lo, afastando a cena da mente e buscando outros interesses, você deixa de reforçar esses circuitos e o assunto deixa de ocupar o plano principal da sua vida. Desapegue, deixe ir. Pratique esta etapa durante o tempo que achar necessário.


5 - Perdoar, abandonar a dívida
Nesta fase, você vai fazer a decisão consciente de deixar de abrigar o ressentimento. É você que decide quando perdoar, e qual a dívida que agora não precisa mais ser paga. 
Você decide também o como: se vai perdoar só por enquanto, ou se vai perdoar mas não vai dar outra chance, ou vai dar uma segunda chance, ou se vai perdoar mas precisa se afastar daquela situação que a prejudica, ou se consegue perdoar  apenas uma parte da ofensa, ou se vai perdoar totalmente. É você quem decide.
Você também decide qual o ritual simbólico que vai marcar este evento. É muito importante marcar simbolicamente a finalização deste processo.


E como saber que perdoou?
Você passa a sentir tristeza ao invés de raiva, e compaixão ao invés de irritação. Você compreende o sofrimento que provocou a ofensa e prefere se manter fora daquele meio. Você não espera por nada.
Aos poucos, você pára de pensar no assunto, a vida volta a seguir e a brilhar.



Capítulo 11
O Cio - A Recuperação 
da Sexualidade Sagrada

Em nossa sociedade o sexo perdeu ser caráter sagrado e se tornou mais um item de consumo, usado muitas vezes como exercício de poder e busca de gozo a todo custo.
Neste capítulo a autora mostra que na antiguidade havia uma ligação entre o humor, o riso e o  prazer sexual. Ela faz uma compilação de pequenas  histórias picantes sobre sexo e os órgãos sexuais (se você não tem o livro, pode ler aqui).
E realmente é verdade: sem humor, não dá para ter libido nem prazer, como eu já mostrei neste post aqui.


Mas o sexo e o humor são apenas o topo do iceberg...a mensagem do capítulo é muito mais profunda, eles são  apenas uma consequência da presença de Eros e de uma relação erótica com a vida.

Eros (ou Cupido), o Deus do Amor,  representa a energia vital que traz beleza, alegria e sentido para a vida, está ligado aos prazeres sensoriais e inclui também o prazer sexual, mas não se resume a ele.


É necessário parar, apreciar o momento, estar presente em seu corpo com todas as suas sensações: o arrepio de uma brisa refrescante, o sabor de um alimento, um aroma agradável, o calor de um toque,  mas também atender rapidamente às necessidades básicas do nosso corpo como sede, vontade de ir ao banheiro…

É incrível a quantidade de mulheres que fica agüentando a vontade até a bexiga estar quase estourando! Negar as necessidades que surgem abaixo da cintura tem sérias conseqüências para a saúde e para a felicidade sexual.

Como disse Marion Woodman: a vida passa pelos orifícios de nosso corpo - olhos, ouvidos, boca, nariz, pele e vagina. 
Para podermos receber Eros, é preciso estar no estado de PresençaO problema é que a maioria das pessoas vive apenas na cabeça e deixa o resto do corpo desabitado, e assim não há onde recebê-lo, o que impede a experiência de plenitude. 


Por isso neste encontro focamos nos trabalhos de consciência corporal, começando pelos pés com massagens, depois alongamento da coluna, exercícios de flexibilidade e relaxamento da pelve e respiração. 
Tudo isso como preparação para uma sessão de Yoga do Riso, onde gargalhamos muito….
O riso é fundamental para a boa saúde física e mental, oxigena todos os tecidos e ajuda na eliminação de toxinas, além disso massageia o períneo e relaxa o corpo, facilitando  o desejo e o prazer sexual.


Depois desta experiência tão divertida passamos a uma vivência muito delicada e profunda que envolvia a musicoterapia, movimento autêntico e visualização guiada, onde cada uma pôde criar seu santuário interior e encontrar-se com sua alma.
Finalizamos com a escrita poética desta viagem interior que compartilhamos com o grupo.
Foi um encontro riquíssimo em experiências e significados, que nos preparou para enfrentarmos as grandes tarefas que nos aguardam no próximo capítulo. 
Até breve!


Capítulo 10
O Resgate da Vida Criativa

Já estamos no capítulo 10, um dos mais densos do livro. São dois contos de espanto, assustadores mesmo, mostrando tudo o que não se deve fazer; para ver se a ficha cai, não é? E o terceiro conto mostra a saída.

Todo este capítulo é dedicado ao cuidado que precisamos ter com nossa alma para preservar e resgatar a vida criativa.

Foi um encontro muuuito longo! Impossível falar de tudo que trabalhamos...Mas vou destacar alguns pontos chave.


O primeiro conto: "La LLorona",  mostra o que acontece quando uma mulher coloca o centro de sua vida em outro lugar que não seja dentro dela mesma. No conto, sua âncora está no homem que ama. No momento em que ele a troca por outra ela fica à deriva e destrói tudo o que vê pela frente, inclusive a si mesma. Se você não tem o livro, pode ler o conto aqui

A mensagem deste conto é muito clara: ancore-se na sua própria vida interior, crie um espaço de cuidado e carinho para si mesma, não espere que os outros façam o que somente você pode fazer por si mesma.

O Segundo Conto: "A Menininha dos Fósforos" também é muito impactante. (Se você não tem o livro pode ler o conto aqui).

Os alertas  deste conto: Se você está num lugar que não lhe faz bem, que drena sua energia, saia daí!  E as pessoas que não valorizam sua alma, suas idéias, sua arte, seu trabalho; não merecem o seu tempo!

Não faça como a menininha do conto, lembre-se do que a autora diz em todos os capítulos: A ingenuidade não é um atributo da mulher selvagem.

O terceiro conto : "Os Três Cabelos de Ouro", mostra que somente podemos recuperar a energia e o frescor da vida se nos permitirmos parar! (se não tem o livro, pode ler o conto aqui).

A última grande lição do capítulo é: crie tempo para cultivar a sua alma, para fazer aquilo que te nutre, inclusive para poder simplesmente não fazer nada e sonhar...

Depois da nossa Roda de Conversas, que foi intensa, partimos para as vivências de consciência corporal onde trabalhamos principalmente a respiração: soltando as tensões musculares das cadeias posteriores, desbloqueando o diafragma e trazendo a consciência para o lugar onde a respiração nasce.


Pois como já vimos: A respiração é a senhora da mente. E para poder parar, ancorar em si mesma, centrar-se, é preciso respirar!

E o que é a meditação senão parar e focar sua atenção em outra coisa que não sejam seus próprios pensamentos?

Finalizamos com a Bênção dos Chakras, uma vivência muito delicada e bonita que você pode aprender aqui.

Expressamos  as imagens interiores através do desenho livre. E surgiram coisas lindas, fortes e poéticas, mostrando o caminho da energia  da alma de cada uma.

Ufa! Muita coisa, hein....

Vocês estão de parabéns, fizemos um lindo trabalho e no mês que vem tem mais: O Resgate da Sexualidade....


Capítulo 9
Pele de Foca - Pele de Alma
A volta ao Lar

Este capítulo traz a possibilidade não apenas do resgate da alma, mas de descobrirmos  o nosso lugar, nosso santuário, o lugar de repouso em nós mesmas. 

Através deste lindo conto de tradição xamânica do povo inuit (esquimós) entramos em contato com uma riqueza simbólica  que nos conduz até a fronteira entre a alma e o espírito.

A história é muito longa, conta como surgiu o primeiro xamâ (curador) deste povo, é cheia de detalhes que não conseguirei resumir neste post, mas quem não tem o Livro "Mulheres que Correm com os Lobos" pode ler o conto aqui.

Este conto tem três chaves para a sua compreensão simbólica: o significado psicológico da pele, a importância das águas para a vida interior,  e a definição de Lar (e como retornar a ele).


pele é o maior órgão do corpo humano, a fronteira entre o nosso corpo e o ambiente, e nos dá a sensação de integridade física e de unidade. "Estar bem em sua pele” significa ser inteiramente  dona de si mesma, conectada com a essência do seu próprio Ser.

No conto, a mulher-foca é um ser encantado que perde sua pele e precisa reencontrá-la para poder voltar ao reino submarino. Perder a pele, significa esquecer-se de si, da sua natureza.

Como perdemos a pele da alma? 
Quando ficamos muito envolvidas com o ego, sendo perfeccionistas, nos martirizando desnecessariamente, quando estamos insatisfeitas e não fazemos nada com isso, quando tentamos ser uma fonte ilimitada para os outros .

E o que isso causa em nós?
Sem a pele, nosso corpo desidrata, resseca. Sem a pele da alma nada  faz nossos olhos brilhar, ficamos entorpecidas, nada parece fazer sentido.

A água é a fonte da vida e não serve apenas para matar a sede e ser o veículo das reações bioquímicas de nosso organismo. 

Ela tem a função profunda de vivificar a existência. Ela carrega nossos sentimentos. Tanto assim, que todas as religiões e culturas têm rituais e práticas espirituais envolvendo a água.

O contato com essa função psíquica simbolizada pela água (o sentimento) permite que voltemos ao Lar. 
O lar é uma disposição interna que nos permite vivenciar a imaginação, a paz e a liberdade. É quando nossa vida instintiva funciona bem e nos sentimos conectadas conosco e com algo maior.

Há vários veículos que podem nos conduzir para o lar: o silêncio, a solidão, a prece, a música, a arte, a dança, a poesia, a natureza, o sol, o  brincar… enfim, o que a sua alma pedir!

Com toda esta riqueza simbólica trabalhamos corporalmente a pele, o equilíbrio, e novamente buscamos o estado de Presença através do Movimento Autêntico que resultou nos lindos depoimentos que você pode ler aqui.

Sinto que fechamos com chave de ouro! Este encontro foi uma jóia preciosa para o colar da nossa jornada.



Capítulo 8
Os Sapatinhos Vermelhos
Armadilhas, Arapucas e Iscas Envenenadas
Este foi um encontro para o qual tivemos que nos preparar com bastante antecedência, lendo todo o capítulo e trabalhando os pés com bolinhas e escalda-pés. Pois é um dos contos mais dramáticos do livro, e a matilha precisava estar bem enraizada e preparada para os desafios da jornada.

Um resuminho para quem não conhece a história: uma menina fica obcecada por uns sapatinhos vermelhos que são enfeitiçados, mesmo sabendo disso, a atração é irresistível. Ela tenta usá-los, mas eles grudam em seus pés e a fazem dançar sem parar até que para não morrer de exaustão ela é obrigada a perder os pés.

Cena do balé Os Sapatinhos Vermelhos

O conto fala das armadilhas que levam à perda da alma.

A principal causa de adoecimento psíquico em nossa época é o esquecimento de si, que  é decorrente de duas armadilhas principais:  a velocidade e o vício da perfeição. 
Estes modos de funcionamento nos afastam da vida instintiva, que é o alimento da vida criativa. 

Isso gera uma fome de alma que faz com que a mulher se agarre obsessivamente à primeira coisa que encontra e que lhe dê a ilusão de que a alimenta. Caindo nos extremos com alimentação , vícios, excesso de cuidados com a forma física, excesso de organização e controle, fanatismo religioso, consumo compulsivo, promiscuidade sexual e etc...

Uma situação da qual não consegue sair, afinal, os sapatinhos vermelhos são lindos....
Cena do balé Os Sapatinhos Vermelhos

A única saída para a dança frenética dos sapatinhos enfeitiçados é o Estado de Presença, que nos ancora no amor e permite "sair da Matrix" dos condicionamentos, obsessões e repetições neuróticas.

Existem várias técnicas que possibilitam esse estado como   silenciar, respirar, meditar, trabalhos de consciência corporal ou  trabalhos manuais, ou contemplar a natureza (desde que feitos regularmente...)

Mas para nosso trabalho de integração psicofísica escolhemos uma técnica de aproximação ao Movimento Autêntico, uma experiência profunda e transformadora, para a qual o grupo vem se preparando desde fevereiro. 

imagens de grupos de Movimento Autêntico pelo mundo

A partir do compartilhamento das experiências vividas no trabalho corporal realizamos nossa  Vivência com Arte através da escrita poética, que resultou em textos belíssimos que você pode conferir aqui.

Este foi um encontro forte, que tocou profundamente a todas e desejo seja uma ponte para uma vida mais autêntica e criativa.

A frase da nossa loba querida Daniela expressa bem o sentimento do grupo ao final:
"Quem precisa de sapatinhos vermelhos quando se descobre as próprias asas?"

Um grande abraço para todas e no mês que vem tem mais…



Capítulo 7
O Corpo Jubiloso

Este encontro foi um pouco diferente dos demais, pois como o tema é o corpo, economizamos nas palavras e priorizamos as vivências. O objetivo é que todas saíssem vitalizadas, com a sensação de corpo vivo.


Imagem: Pinterest

E  o que é um corpo vivo no mundo instintivo?

No nível mais básico, consideramos o corpo o Templo do Ser; portanto, a questão não é a do formato, do tamanho, da cor ou da idade; mas se existe sensação, se funciona como deveria, se temos todo um leque de sentimentos.

Sua função é proteger, conter, apoiar e atiçar o espírito e a alma em seu interior, a de ser um repositório para as recordações, de nos encher de sensações - o supremo alimento da psique -  para provar que existimos, para nos dar uma ligação com a terra, para nos dar volume, peso.


Realizamos várias vivências corporais: primeiro trabalhamos os pés através  da massagem com bolinhas e observamos os efeitos no resto do corpo e na respiração, depois trabalhamos em duplas trazendo vitalidade para a pele, acordando todo o corpo.

O ponto culminante foi a prática do Yoga do Riso, uma sessão de gargalhadas que purifica, desintoxica, traz alegria e vitalidade, seguida da Dança dos Elementos, através da técnica do Movimento Espontâneo, fechando com a Invocação da Luz.

Depois dessa sensação de despertar e habitar o próprio corpo, passamos para a Vivência com Arte onde fizemos uma experiência de sensibilização e mobilização das imagens interiores que se concretizaram através da Modelagem em Argila. Vocês podem ver as fotos dos trabalhos aqui.

No final, compartilhamos nossas experiências e  encerramos com a  Dança Circular, que está ficando linda! 

Este encontro foi realmente inesquecível, e marca uma nova fase, pois passamos da metade do livro e o foco agora é a transformação.

Foi uma grande alegria estar com vocês, no mês que vem tem mais...


Capítulo 6
O Patinho Feio
A Busca da Sua Turma

A tarefa principal deste conto cujo tema básico é o exílio (da alma), é o encontro de nossa turma (nossa família de alma), que na maioria dos casos não será a nossa família de origem.

Neste capítulo ela destaca a natureza de persistência e continuidade da alma na busca de condições propícias para viver e vicejar.

Destaca também a importância da Mãe interna saudável. E o que seria isso? É a capacidade que desenvolvemos de aceitar nossa beleza singular, de acalentar e acolher nossos sentimentos, sonhos e desejos, e principalmente a capacidade de sustentar com firmeza nossas qualidades únicas, nossa radical diferença.

Ela destaca no livro que não importa o quão difícil tenha sido nossa infância ou adolescência, mesmo que tenhamos tido uma mãe terrível, podemos não apenas sobreviver, mas vicejar.

Porque a vida também nos oferece as mães de alma. Mulheres sábias que encontramos ao longo de nosso caminho e que nos ensinam uma outra forma de percebermos a nós mesmas e ao mundo. 

Falamos também da alegria e da vitalidade que surgem quando finalmente encontramos nossa turma, ou seja quando encontramos a aceitação de nossa natureza, e também quando encontramos pessoas que a reconhecem. 


Iniciamos com as Atividades de Consciência Corporal, onde realizamos várias práticas integrativas e uma oportunidade de rever nossa história, os pontos em comum e nos apropriarmos das qualidades únicas de cada uma.

E com todos esses cisnes surgindo, nada melhor do que celebrar o encontro e a união do grupo através de uma Dança Circular!


Depois expressamos nossas imagens interiores através do desenho e pintura. Cada uma transformou sua história numa mandala. Vejam os lindos trabalhos aqui.

Foi um encontro alegre e revigorante. Foi muito bom estar com vocês!

No mês que vem tem mais... Vamos entrar no Sétimo Capítulo: O Corpo Jubiloso.

Cuidando Amorosamente da Criança Interior - Parte 1

Sempre que chegamos no capítulo  6 do livro Mulheres que Correm com os Lobos: O Patinho Feio (que é bem diferente do conto que ouvimos quando crianças), percebo que é muito comum  a associação do personagem do Patinho rejeitado à nossa criança interior ferida. 

Esta é uma visão superficial, que pode gerar obstáculos ao processo de auto conhecimento. O Patinho, como a Clarissa diz, representa nossa alma selvagem, que resiste a todas as intempéries e não desiste até encontrar o seu próprio bando.

Mas e a criança ferida?

Sim, ela existe, e precisa ser bem cuidada. Mas muita atenção aqui para não ficar fixada nas feridas, pois isso leva à Síndrome do Sobrevivente, o que limitará todo o potencial de vida.

Na Síndrome do Sobrevivente é comum a pessoa pensar ou dizer: "veja o que foi feito de minha vida por causa de minha mãe/pai/amante/filho/chefe...." e também "se eles mudassem ou fossem diferentes minha vida seria muito melhor."

Uma outra manifestação é aquela pessoa que ostenta suas feridas como forma atrair atenção ou de manipular os outros para que façam o que ela deseja.

Veja como nestes casos o poder está totalmente fora de si mesma...

Assim a pessoa fica fixada no passado e assume o lugar de vítima, portanto cria condições para encontrar ao longo do caminho outros que personificarão "os vilões", entrando num ciclo de repetições e sofrimento.

E como evitar isso?

Em primeiro lugar: reconhecer a dor, aceitar que assim foi sua história, fazer seu lamento pelas ilusões perdidas e cuidar das feridas para que cicatrizem ou pelo menos, que parem de incomodar.

Nessa fase é preciso um certo recolhimento, evitar excesso de estímulos, ter períodos de silêncio ou meditação, cuidar muito bem do seu corpo dando-lhe:
- boas noites de sono, 
- alimentação saudável, 
- exercícios leves,
- tomando muita, muita água para purificar-se, pois ela é o veículo de todas as emoções, carrega as toxinas para fora,
- e tomar pelo menos 20 minutos de sol por dia, a luz solar ajuda a prevenir depressão e também é útil para quem está em tratamento.
- buscar ajuda profissional se necessário.


E lembrar que todo arquétipo tem dois polos. Por mais que tenhamos sofrido, se chegamos à idade adulta, temos dentro de nós a criança saudável. Vários estudos feitos sobre períodos de guerras e catástrofes mostram que se a criança interior for seriamente danificada ou destruída a pessoa não sobrevive.

Portanto, se você está lendo este post, sua criança feliz está viva! Vamos nutri-la e chamá-la para brincar e ajudar a cuidar da criança ferida.

Como disse Chico Xavier: "Não podemos fazer um novo começo, mas todos podemos escrever um novo fim."

Como fazer isso? Vocês verão no próximo post, aguardem...

Cuidando Amorosamente da Criança Interior - Parte 2

Como podemos chamar e nutrir nossa criança feliz?

Bom, é muito importante destacar que estas propostas e atividades só terão função terapêutica se não houver nenhuma cobrança de desempenho, Ok? 

Só valem se você fizer simplesmente pelo prazer de fazer, assim como as crianças fazem.

Vamos pensar um pouquinho, quais são as características das crianças?

1 - Curiosidade
Sim, as crianças são muito curiosas, só perdem para os gatos....Rsrsrs
Então, para cuidar da sua, seja curiosa, pergunte, questione, tente aprender sempre algo novo. Divirta-se com suas descobertas.

2 - Mexer o Corpo
Já reparou como as crianças gostam de dançar, correr, só pelo prazer de mexer o corpo? 
Dê essa alegria a si mesma, mexa-se. Caminhe, dance, suba em árvores, brinque com seu pet...

3 - Fazer coisas com as mãos
Pinte, borde, desenhe, toque um instrumento, cozinhe, faça pães ou artesanato...qualquer atividade manual que te traga prazer e alegre sua criança.


4 - Brincar ao Ar Livre e Contato com a Natureza
Ofereça-se todos os dias alguns minutos de sol, saia da frente do computador e vá até uma praça ou parque, sente-se à sombra de uma árvore e sinta o vento, a luz, ouça o canto dos passarinhos, cheire uma flor...

5 - Mexer com a Terra
Cuide de uma plantinha, pesquise como cuidar dela, mexa com a terra, acompanhe seu crescimento e florescimento, observe como ela muda ao longo das estações.

Aqui também vale brincar com modelagem em argila, deixe suas mãos livres para brincar e criar novas formas com o barro. Deixe sua imaginação voar...

Argila é barata e fácil de encontrar em qualquer papelaria. Se você gostar do resultado, deixe secar naturalmente por algumas semanas e depois impermeabilize a peça com uma mistura de cola branca e água (metade de cada). A peça ficará resistente a fungos e durará muito....

6 - Proteja Seu Mundo Interno
A analista junguiana Marion Woodman nos ensina que tudo o que entra por nossos olhos e ouvidos torna-se parte de nossas células assim como o alimento.

Portanto, cuide muito bem do que assiste e ouve, evite programas e filmes que destacam a violência, conversas desagradáveis, fofocas e discussões inúteis.

7 - Abra Espaço Para Cultivar Alegria
A alegria é algo precioso e deve ser muito bem cuidada. Abra espaço no seu cotidiano para pequenas alegrias. Busque atividades que te façam sorrir e cultive o humor. O riso é um excelente remédio. 


Tenho certeza de que com esses cuidados sua criança ficará saudável e feliz. A minha adora estes carinhos...


Capítulo 5 
A Mulher Esqueleto
Quando o Coração é um Caçador Solitário
 Se você não tem o livro, pode ler o conto aqui


Neste mês entramos no quinto capítulo: "A Mulher Esqueleto", um lindo conto do povo inuit, que nos ensina a importância de respeitarmos os ciclos vitais de nascimento e encerramento, de lamentações e festejos.

Este é um dos capítulos mais difíceis do livro, porque nos coloca diante das questões fundamentais da vida de forma muito direta e contundente.

O encontro do pescador e da Mulher Esqueleto nos mostra que o amor tem seu custo. Precisamos de coragem para sair do mundo da fantasia e encarar nossas fragilidades e feridas. Encarar o não-belo e acolhê-lo em nós mesmas e no outro.

Amar apesar de.
Amar cara a cara. 
Amar ossos a ossos.

Se conseguirmos encarar e cuidar da Mulher Esqueleto em nós, poderemos viver um amor maduro e duradouro.


Trabalhamos os temas através de uma linguagem não verbal com as práticas de integração psicofísica. Utilizamos algumas práticas da Eutonia, da Alquimia Interna Taoísta e práticas de Renascimento baseadas nas técnicas da Osteopatia Visceral.

Na Roda de Conversas esclarecemos as dúvidas e destacamos os pontos principais para que possamos viver o amor de forma madura e consciente, trazendo esse conhecimento para a vida diária.

Foi muito bom vivermos juntas mais esta experiência tão profunda e amorosa.


Capítulo 4
Manawee
O Encontro com o Outro

Neste mês, no Grupo Correndo com Lobos,  entramos no Quarto Capítulo com o conto africano Manawee, uma história divertida que nos mostra a importância do cuidado e atenção à nossa vida instintiva para que possamos continuar a jornada rumo à plenitude. Para ler o conto na íntegra, clique aqui.

O conto tem uma grande riqueza simbólica que não poderia ser resumida num post, mas para terem uma idéia dos temas que ele aborda: 

- o encontro com o outro (dentro e fora de nós), 
- a importância da discriminação, do discernimento,
- a necessidade de dar atenção à intuição, integrar e cuidar de nossa vida instintiva, 
- a importância de nomear as experiências,
- o cuidado com as distrações  que nos afastam do caminho.


Enfatiza também a necessidade de persistência e disciplina para poder alcançar o ideal.

Lembrar que o estranho sinistro quer obter os nomes, ou seja, quer tirar o poder da discriminação e do discernimento do cachorrinho; ele quer tirar o poder da vida instintiva atacando pelo pensamento (nossas ruminações internas).

Se estivermos desconectadas de nosso corpo, de nossos instintos e intuição, seremos presas fáceis para esse predador interno.

Mas o cachorrinho conseguiu deixar de seguir o cheiro da torta e da caça apetitosa, enfrentou o estranho sinistro com unhas e dentes e finalmente conseguiu ajudar o seu dono a se casar com as gêmeas.

Iniciamos com as Práticas de Integração Físio-Psíquicas onde pudemos realizar experiências corporais de equilíbrio, flexibilidade e confiança na relação com o outro de forma bem lúdica. 

Experimentamos também o diálogo sem palavras na dança do espelho e a experiência de ver e ser vista, através do olhar sustentado.

Muitas descobertas...

Depois passamos ao nosso momento com Arte, onde expressamos tudo o que vivemos através de imagens utilizando a técnica de gravura em papel. Para ver os belos trabalhos clique aqui

E finalizamos com a Roda de Conversas, desvendando as chaves do capítulo para aprofundar a jornada pessoal. 



Foi uma delícia estar com vocês novamente, no mês que vem tem mais...


Capítulo 3
Vasalisa a Sabida
O Resgate da Intuição

Neste mês entramos no terceiro capítulo do livro, com o conto russo Vasalisa, a Sabida. Uma história linda, que trata da iniciação de uma menina nos mistérios do feminino, através do resgate da intuição e dos saberes instintivos. Mas simboliza também a jornada de auto-conhecimento para todos os seres humanos, não apenas para as mulheres. Para ler o conto na íntegra, clique aqui.


Vasalisa vai ao encontro de Baba Yaga (uma bruxa assustadora) e tem de realizar várias tarefas para poder receber o fogo e acender a lareira da sua casa. Através desses desafios descobre recursos internos que não conhecia, simbolizados pela bonequinha.

O conto tem uma forma circular, como uma mandala. Ela volta exatamente para o local de onde saiu mas não é mais a mesma. Tem outro olhar para o mundo, simbolizado pela caveira luminosa, que tudo vê.

Assim também é nosso desenvolvimento psíquico, uma espiral, na qual passamos pelo mesmo ponto, mas cada vez com uma perspectiva diferente.


Na verdade, Baba Yaga é uma Deusa da mitologia Russa, representa a força da vida presente nas sementes, ela tem um aspecto selvagem. Com a cristianização da Russia, essa Deusa foi transformada numa bruxa como vemos no conto. Apesar desse aspecto assustador, ela é a iniciadora da menina nos mistérios da vida.

A maioria de nós tem dificuldade em lidar com a intuição, queremos sempre encontrar explicações racionais para o que percebemos e sentimos. Assim como a bonequinha precisava de pão, a intuição precisa ser alimentada e exercitada para poder se desenvolver. 

E como podemos fazer isso? Encontrando momentos de silêncio, contemplação, realizando atividades que nos tragam alegria e relaxamento.

E principalmente ouvindo-a, sem querer explicação para tudo, pois como diz a Baba Yaga no conto: "querer saber demais faz a gente envelhecer antes da hora..."




Em nossas vivências corporais, aprendemos uma técnica da osteopatia visceral para relaxamento do diafragma e também como alongar e cuidar do músculo íleo-psoas, pois eles estão intimamente relacionados.


Isso permite aprofundar e liberar a respiração, que é fundamental para harmonizar o sistema nervoso e permitir o aflorar da intuição. Finalizamos com a dança do despertar da semente.

Foi uma alegria estar com vocês novamente. 
Em julho este grupo estará em férias, mas no segundo semestre a jornada continua!



Capítulo 2
O Barba Azul - Parte 1
Enfrentando o Sabotador Interno

Neste mês trabalhamos o Capítulo 2 - O Barba Azul, foi um encontro muito especial, com uma rica troca entre todas.

Este conto apresenta os aspectos sombrios que nos habitam, que obstruem a vida criativa, bem como a importância de identificá-los e saber lidar com eles, para não nos tornarmos suas vítimas.

São aspectos que agem nos sabotando, nos prejudicando sem que nos demos conta.

Se você não tem o livro, pode  ler o conto aqui.

Ao ler este conto, algumas mulheres se solidarizam com o Barba Azul e criticam a curiosidade da esposa: "ela tinha uma vida tão boa, podia usar qualquer chave, por que foi mexer com a chavinha proibida?"

Somos ensinadas desde muito cedo a sermos boazinhas, a ingenuidade é valorizada como qualidade, o que nos torna presas fáceis para esse aspecto negativo.

Manter-se inocente, sem saber o que existia por trás daquela porta poderia ser confortável durante um tempo, mas teria um alto preço. Mais cedo ou mais tarde ela seria a próxima vítima, pois a lenda original do Barba Azul conta que assim que ele se cansava de uma esposa, ele a matava.
Ninguém é feito só de luz, todos temos também a sombra, aquilo que não é tão belo e elevado. Para vivermos de forma íntegra e buscarmos a completude precisamos cuidar da sombra também.

Quando não é identificado e devidamente cuidado,  esse aspecto destrutivo que todos os seres humanos possuem permanece inconsciente. Desta forma podemos encontrar pessoas em nossas vidas que têm as características ideais para receber a projeção do nosso próprio predador interno e nos vemos dentro de um relacionamento abusivo ou destrutivo.

Conforme disse Jung: "Aquilo que negamos em nós mesmos, enfrentamos como destino."

Esse treinamento básico para "sermos boazinhas" faz com que ignoremos nossa intuição, uma ferramenta fundamental para a vida.


O que significa usar essa chave e abrir a porta proibida? 

Significa fazer as perguntas certas, farejar o que está por trás das aparências e também manter-se curiosa sobre si mesma. Essas perguntas provocam a germinação da consciência, o que retira a força desse aspecto destrutivo e permite que a usemos de forma criativa.

E como podemos reconhecer esse aspecto dentro de nós mesmas? Veremos na segunda parte deste post.


Capítulo 2 - O Barba Azul - Parte 2
Identificando o Meu Predador Interno

Pintura de Magdalena Korseniewska

Como vimos no post anterior (aqui), os aspectos sombrios de nossa alma podem ter um aspecto assustador, mas se devidamente reconhecidos e cuidados perdem sua força destrutiva.
E como reconhecer o "Barba Azul" dentro de nós?

Ou seja, como perceber que esse aspecto destrutivo está ativo?

1 - Quando somos cruéis conosco.
Sempre que exigimos demais de nosso corpo e mente e não atendemos nossas necessidades físicas, emocionais e espirituais.

Cuidado! O predador está rondando.

2 - Quando desqualificamos nossos sonhos e ideais.
 Diante de um sonho ou um novo projeto no qual podemos trazer nossos dons para o mundo, uma voz interior nos diz alguma dessas frases:
 "Ah...isso não é para você..." 
 "É muita areia para o seu caminhão."
 "Você não vai conseguir, é melhor nem tentar."

Cuidado! Essa é a voz do predador.

3 - Quando desvalorizamos nossas conquistas e realizações.
Por exemplo, quando fazemos um trabalho bem feito ou produzimos algo belo que as pessoas elogiam, não acreditamos que o que fizemos tem realmente valor e dizemos para nós mesmas: "Ah...não é tudo isso.." ou então "Não é nada de mais,  qualquer pessoa faria melhor..."

Cuidado! Essa é a voz do predador.

4 - Inércia e Marasmo
Mesmo sabendo o que precisamos fazer para realizar um sonho, não conseguimos nos mover e agir. E  tudo parece estar num marasmo...

Cuidado! A energia criativa está sendo sugada pelo predador.

5 - Adiamento de tarefas importantes para a alma.
Ficamos adiando fazer algo que gostamos muito, que nos dá imenso prazer e nos alimenta a alma como por exemplo: dançar, cantar, pintar, fazer artesanato, brincar, tomar sol, passar um tempo na natureza, ficar em silêncio, escrever, ler, meditar....

E nos damos as desculpas esfarrapadas: "Não tenho talento", "Não tenho idéias"...e a pior de todas: "Não tenho tempo".

Vamos  colocando todas as "obrigações" sempre na frente e adiando fazer o que realmente importa para quando a caixa de entrada estiver vazia, só que ela nunca vai esvaziar...

6 - Esgotamento
Quando essas energias conflitantes entram em estado de saturação a mulher sente um cansaço incrível, pois sua energia psíquica está sendo sugada.
Esse é um momento crítico e se cedermos a esse cansaço e não compreendermos a mensagem de que algo está muito errado, as conseqüências podem ser graves.
Ao chegar neste ponto, geralmente a mulher precisará de ajuda profissional para sair da situação.

E agora que já identificamos esses aspectos dentro de nós mesmas, o que fazer?


Capítulo 2 - Barba Azul - Parte 3
Como lidar com ele?

Uma vez reconhecidos nossos aspectos sombrios, como cuidar deles? Como reduzir a energia destrutiva e permitir a transformação em energia criativa?

Ao invés de brigar com ele ou fugir, nós o desarmamos.

Antes de tudo, é fundamental estar bem enraizada em seu corpo, cuidando amorosamente de suas necessidades físicas, para que possa usar bem as estratégias apresentadas no livro, que vou delinear a seguir:

1 - Não alimentar pensamentos negativos sobre nós mesmas, sobre nosso valor
Quando a voz do predador começa a falar dentro de nós precisamos imediatamente interromper essa conversa e não ficar ruminando a negatividade, pois isso aumenta sua força.
Perceba onde está, o que está fazendo e com quem você está no momento em que os pensamentos surgem e mude de ambiente, interrompa o que estiver fazendo, nem que seja para ir até o banheiro ou ir tomar uma água. 
Isso já areja os pensamentos. Se perceber que eles acontecem sempre numa mesma situação, fique atenta.
Se puder sair, dar uma volta, conversar com alguém legal, melhor ainda!

2 - E quando o que ele estiver dizendo for verdade?
Por exemplo, você vai começar um novo projeto e aquela voz interior diz: "Você nunca termina o que começa." 
E você percebe que realmente tem dificuldade para levar adiante e concluir as coisas...o que fazer?
Fale para ele: "Nem sempre. Algumas coisas eu consegui concluir e à partir de hoje conseguirei ainda mais."
Acolha a verdade mas não mergulhe na negatividade. Isso é muito importante!
E não desista. Lembre-se: Cair sete vezes e levantar-se oito!

3 - Auditoria dos pontos vulneráveis
Já parou para pensar que algumas pessoas fazem comentários que nos espetam bem onde somos mais sensíveis? Então esses são nossos pontos vulneráveis.
Por exemplo: se você se sente insegura com relação à competência profissional, ou se está em dúvida com relação ao seu papel como mãe, ou num relacionamento....e por aí vai...e alguém faz um comentário ou crítica exatamente sobre esse ponto. Preste atenção, este é um ponto vulnerável.
O que fazemos com algo vulnerável? Nós o protegemos. Então não exponha esse aspecto da sua vida para todos, não dê abertura para intromissões. Se alguém vier dar palpite sem ter sido chamado, faça como o leão da montanha: "Saída pela direita!" 

4 - Confiar
Importantíssimo, principalmente no início, quando identificamos esses aspectos em nós e ao nosso redor e ainda não sabemos muito bem como lidar com eles.
Confie que a sua psique irá guiá-la para fazer a compostagem e reciclagem dessa energia. Inclusive sua alma pode te guiar até um profissional para ajudar, se estiver muito difícil.

5 - Entender como acontece a transformação interior
A raiva (do predador) pode ser transformada em energia para defender uma causa nobre ou realizar algo importante no mundo.
A astúcia (do predador) pode ser usada para investigar, aprender e compreender melhor a vida.
A natureza do predador pode se transformar em energia para ajudar a afastar-se do que lhe faz mal e ir em busca de sua realização.

O veneno transforma-se em remédio. Entendeu?

A cura, tanto para a mulher ingênua como para a que teve seus instintos fragilizados é a mesma: preste atenção à sua intuição, faça perguntas, seja curiosa, veja o que estiver vendo, ouça o que estiver ouvindo e depois aja com base no que seu coração sabe ser a sua verdade.

E lembre-se sempre: 
"A ingenuidade não é um atributo da mulher selvagem."
Clarissa Pínkola Estés

Gostou desta série? Ela foi útil a você? Conte para nós...


Capítulo 1
La Loba
Peneirando o Deserto e Recolhendo Ossos 


O deserto é um lugar onde a vida se apresenta muito condensada.  Quase tudo acontece no subsolo. Ele é muito intenso e misterioso nas suas formas de vida. 

Muitas vezes a mulher tem a sensação de estar vivendo num local vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor vermelha e, em todas as direções 500 quilômetros de nada.

No entanto, para aquela que se dispuser a andar 501 quilômetros existe mais alguma coisa. Uma casa pequena e admirável. Uma velha. Ela está à sua espera.

Não seja tola. Siga em frente percorrendo aquele último  e árduo quilômetro. Aproxime-se e bata na porta castigada pelas intempéries. Atravesse a janela do sonho. 

Peneire o deserto e veja o que encontrará.

Clarissa Pínkola Estés
In: Mulheres que Correm com os Lobos


Veja que interessante o trabalho do Dr. Gary Greenberg: ele peneirou e examinou ao microscópio areias de vários lugares do mundo. Onde parecia haver somente restos de rocha moída, uma surpresa!


Estas são fotos da microscopia da areia. Há cristais, conchas e restos de pequenos seres. Veja que riqueza de vida: quantas cores e formas ...



Viu?  Não é uma beleza?
Então, peneire o seu deserto. 
Você vai se surpreender…

O Florescer do Deserto de Mojave e o Nosso Encontro!

O Deserto de Mojave na Califórnia chega a ficar décadas sem uma gota d'água. E sua parte mais árida, onde nem os cactos sobrevivem, é chamada de Death Valley (Vale da Morte).

Na semana passada, aconteceu um fenômeno raro, chamado de Full Bloom. Após apenas alguns dias de fortes chuvas todas as sementes que estavam ocultas no solo seco  há mais de 10 anos brotaram e floresceram ao mesmo tempo!

Na foto acima e nesta vocês podem ver o grau de secura:


E o resultado foi inacreditável!




Este fenômeno aconteceu exatamente uma semana antes do nosso encontro do Grupo Correndo Com Lobos, onde trabalhamos o Capítulo 1, que fala exatamente sobre os desertos da alma. Foi um grande presente!

O deserto não está morto. A vida está concentrada abaixo da superfície, mas quando as condições são propícias ela desabrocha em todo seu esplendor.

Quando estivermos no deserto da alma, precisamos cuidar amorosamente de nós mesmas, criando condições para que no devido tempo a vida brote. 
Lembrando sempre de não acrescentar sofrimento ao que já tem seu próprio peso.

Todas as imagens são do Pinterest

Portanto, mesmo nos momentos difíceis, vamos acreditar que o reverdescimento do ermo é possível. A natureza nos ensina com sua sabedoria e beleza!




9 comentários:

  1. Olá Dra. Cristiane, vou tentar seguir este ciclo, preciso me perdoar e resgatar minha auto estima.
    Embora idosa, necessito me tratar, juntar meus pedaços, me refazer.
    Por favor, me orienta, agradeço, que seja sempre abençoada,
    abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  2. Parabéns! Minha Pesquisa valeu! Por gentileza informe como é possível uma copia desse material? Muito grata. Sonia Vilela conceitosonia@hotmail.com

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    1. Olá Sonia, obrigada, fico feliz que tenha gostado de nosso trabalho. Este material envolve direitos autorais, pois tudo aqui é de minha autoria e está sendo transformado em um livro. O conteúdo que está nesta página está disponível apenas para consulta. Em 2016 estaremos formando uma nova matilha de lobas. Você poderá participar e vivenciar pessoalmente.
      Grande abraço

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  3. Há tempos não encontrava tanta alma e amor transcritas em palavras e imagens. Desejo prosperidade sempre!
    Fraterno Abraço,
    Graziela RoMANI tODOROVSKI

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  4. Há muito não encontrava tanta alma e amor transcrita em palavras e imagens.
    Desejo-te prosperidade e luz.
    Fraterno Abraço!

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    1. Gratidão Graziela!
      Luz e Paz para você também!
      Grande abraço

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  5. Simplesmente incrível, nao tenho mais palavras para descrever seu trabalho.....que mais e mais pessoas possam ter acesso as suas ideias.....gratidão!!

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    1. Muito Obrigada Carla!!!
      É tão bom saber que nosso trabalho toca o coração das mulheres...
      Seja sempre bem vinda!
      Grande abraço

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